Eu não gosto de ser preconceituosa. E longe de mim querer generalizar. Mas os napolitanos... Ah, são muito mafiosos (ok, isso todos já sabem). Devo dizer, antes que alguém se confunda: não, eu não estou de volta à Itália. Continuo em Sydney sem nenhum plano imediato de ir para lá.
O que acontece é que eles, os italianos, estão em todos os lugares. É pegar um ônibus que ta lá, mais um deles esperando o mesmo “busã”. Aqui abro um parêntese - alguém já ouviu um italiano falando inglês? O sotaque deles é tão engraçado quanto o meu deve parecer para um indiano. Mas, de qualquer forma, não sendo eu italiana, posso rir deles o quanto quiser.
Eu já devia ter aprendido a lição, fique longe dos napolitanos. Mas quando vejo – e com aviso prévio – me mudo para uma casa gerenciada por um moço nem um pouco simpático, chamado, que ironia, Michele (que em italiano vira Miquele). O “querido” Michele tem 25 anos, as olheiras mais pretas que eu já vi e o mau humor mais desagradável que presenciei. Ele é casado com uma australiana que passa fácil dos 40 e roda com um carro presenteado pela esposa. Ela também aluga várias casas em seu nome para que ele possa gerenciar. Muito generosa.
Tive alguns problemas com esse moço. Tentei, em vão, separar a personalidade do indivíduo da cidadania dele, mas com napolitanos, isso fica complicado. Mesmo a amiga portuguesa com quem dividi a casa afirmou: “se eu soubesse que ele era de Napoli não tinha vindo pra cá!”. E completou: “Céus, o que eu faço agora?”.
Vai acabar acontecendo com os italianos o mesmo que se aplica aos brasileiros em muitas ocasiões. A má conduta de uns, acaba por baixar a tolerância do Mundo em relação ao país. Digo isso porque a mesma amiga de Lisboa, Joana, tocou em outro ponto interessante. Disse ela que as prostitutas que da Europa são, em grande parte, brasileiras e romenas. Não dá nem pra se ofender quando escutamos frases do tipo: “brasileiras são vulgares”.
Casinha nova e mais italianos
Percebi que não dava para ficar na casa do italiano e resolvi me mudar. Envio um doce por Sedex para quem adivinhar qual a nacionalidade preponderante das pessoas que vivem no mesmo bairro que eu, Leichhardt. Alguém respondeu italiana? Eu não aprendo nunca.
Sim, vim parar no bairro onde se concentram os italianos. Pra piorar (ou melhorar) eu adoro aqui! Acho o bairro uma gracinha. Tem um clima bem familiar. As pessoas saem na rua para passear no fim de tarde e o que mais se vê são cachorros lindos e carrinhos de bebês fofos. As lojas anunciam produtos “direto da Itália” e os restaurantes da região são na maioria italianos.
Mas, com certeza, não foi por eles que eu vim para cá. Acabei aqui porque encontrei um quartinho muito bom, na casa de uma australiana bacana e vizinha de uma família Libanesa que está sempre disposta a ajudar. Ganhei pratos e toda a aparelhagem para a minha mini cozinha e toda semana pego um DVD emprestado com a proprietária. Mesmo morando bem mais longe da escola do que na primeira casa, conviver com pessoas amáveis e decentes, não tem preço.
Essa e as outros fotos foram tiradas em alguma parte do caminho entre Bronte e Coogee
Desde criança tiro esse tipo de foto. Eu tentando segurar um gato que tenta fugir




