sábado, junho 18, 2011

Incrível, ela limpa!

Quando eu era criança eu tinha tarefas. Não me lembro exatamente se eram diárias ou semanais, ou a cada dois dias. Lembro que pra mim eram um fardo, uma afronta, escravidão, pra não dizer abuso de menores. Enquanto todas as meninas estavam no shopping (achava eu) a pobre Michele tinha que ajudar na casa.

Aquilo não era nada que tomasse mais do que 30 minutos do meu dia se eu realmente botasse a preguiça de lado e fizesse logo o que devia ser feito. O que geralmente acontecia é que eu passava horas sofrendo e empurrando pra mais tarde, ou invés de me livrar do problema o quanto antes. Mais ou menos como quando tinha uma prova muito difícil, ou um trabalho daqueles que não sabia nem por onde começar. Ia ficando pra depois, e depois até que nos 45 do segundo tempo eu levantava e terminava tudo correndo do jeito que desse.

Quanto as minhas tarefas – limpar o banheiro, ou varrer a casa, passar pano na cozinha – qualquer argumento que eu tentasse era insuficiente. Lembro que toda vez que eu questionava o porquê de ter que fazer aquilo, a resposta da minha mãe era a mesma:
– Porque você precisa aprender.
E não adiantava dizer que eu ia ser uma adulta rica com todo o dinheiro necessário para pagar alguém que limpasse a casa por mim. A resposta que vinha depois era ainda mais, digamos assim, eficiente:
- Uma boa patroa precisa saber como se faz. Porque assim pode avaliar se estava certo.

Minha mãe também nunca gostou de, após um dia longo e estressante de trabalho, encontrar uma bagunça ao chegar em casa. Louça na pia, farelo pela casa, roupa e sapatos pelo chão. Então aprendi, e não sei se digo que foi de uma maneira muito fácil, que uma casa limpa e organizada é um ambiente relaxante. Pra ser sincera, meu próprio lar não é um exemplo assim como eu não sou sempre organizada.

A questão é que eu ainda não sou uma adulta rica com dinheiro pra pagar alguém que limpe a minha casa. Eu sou paga pra cuidar de duas crianças grandes. E me sinto tão estranha de estar recebendo para não fazer nada (a não ser dar atenção pros meninos) que fico arrumando tudo que vejo pela frente na casa dos meus chefes. Lavo a louça, seco e ponho tudo de volta no lugar. Depois limpo o fogão (mesmo não sendo eu quem sujou) e então seco a pia até que fique brilhando. Ai eu recolho os lixos da cozinha e arrumo o quarto das crianças. E cuida pra recolher a bagunça deles pra que os pais, que pagam meu salário, possam voltar pra casa e não se preocupar com nada disso.

Eu acho que não faço mais do que minha obrigação. Isso me lembra do meu pai, que adora essa frase! Mas meus chefes estão muito felizes comigo. Dizem que as crianças adoram passar as tardes comigo. E confidenciam impressionados pra minha vizinha (que é a ex-mulher do meu chefe):
- Ela é tão amável, dá pra acreditar que ela limpa minha casa?

Só tenho a dizer que tudo isso eu devo a minha mãe. Que se esforçou muito e digo que foi mesmo muito, pra que eu não virasse uma porquinha.

So thanks mom!


Leichhardt da minha varanda...

Moro num pedacinho (pequeno mesmo) dessa casa

quinta-feira, junho 09, 2011

Continuo aqui...

Quando o dinheiro acaba a nossa percepção das coisas, ou pelo menos a minha, também se anula completamente. Não consegui pensar em nada interessante para compartilhar, porque estive com a cabeça ocupada pensando: o que mais posso fazer pra conseguir um emprego melhor, salário melhor ou no final das contas, qualquer trocado digno – o que já é muito melhor que nada.

Primeiro tudo deu errado. Ai começou a melhorar. Depois vieram as coisas ao mesmo tempo e finalmente parece que a vida começa a se ajeitar. Será? Estou em novos empregos, mas ainda não abandonei a área de comunicação e entretenimento. Durante o dia cuido de duas crianças, de 10 e 12 anos. Entre elas, uma menina muito “papuda” com a qual pacientemente (sim, é verdade) converso a tarde inteira.

A Tailah me mostrou que eu posso ser muito calma e atenciosa. Porque eu preparo o sorvete com a maior boa vontade quando ela me pede, mesmo depois de eu ter acabado de limpar a cozinha inteira e secar a pia. Ou faço pasta no meio da tarde porque ela acha que isso combina no chá das cinco. E nos dias que estou realmente disposta, ainda viro de cabeça pra baixo pra mostrar que ainda lembro alguma coisa de quando fazia ginástica olímpica. Por mais que isso me dê uma terrível dor nas costas (sedentária).

Já o Todd, como todo pré-adolescente, tem vergonha de ser levado para escola por uma babá. Caminha meio metro atrás e quando chega na esquina do colégio, sai correndo na frente antes que alguém o reconheça. Eu finjo que não vejo coitadinho. Afinal, ele está certo. Já é mesmo muito grande pra ir acompanhado pela nanny até o colégio. Ele só fala quando está de boa vontade e se tiver algo interessante para dizer (grande garoto!). Senão, fica quieto, no canto dele lendo revistas ou burlando a regra dos 30 minutos de vídeo game – que eu sempre finjo que me engano e acaba virando uma hora.

Nos finais de semana estou me virando no ramo do entretenimento. Já apareci até no canal local. Viu só?! E ainda tinha gente que duvidava que um dia eu aparecesse na televisão! Trabalhei como garçonete num casamento muito fino, filmado pelo canal 9, ou pelo 7, já nem sei mais. E tudo isso sem derrubar nenhuma bandeja nem molhar nenhum convidado! Aha, demais!

Jardim Chinês

O bom de ter um emprego, seja ele qual for, é que finalmente sobra um dinheirinho para passear e conhecer lugares legais, já que em Sydney não se faz nada de graça. Li meu livro de dicas turísticas da Austrália, pesquisei na internet os preços de todos os passeios que eu gostaria de fazer e acabei escolhendo o Chinese Garden of  Friendship porque parecia bacana e principalmente, porque pensei ser de graça, como qualquer parque aberto da cidade.

Não era! Mas também não custou caro. Seis dólares o direito de entrar e passar o dia todo relaxando, tirando fotos. Logo na primeira trilha que peguei vi uma loja de roupas típicas japonesas. Olhei pelo lado de fora e vi aquele monte de tecido colorido lá dentro. Entrei, claro, afinal olhar loja nunca custou dinheiro. Logo que botei o pé para dentro já fui cercada por duas japas que escolheram pra mim a roupa da princesa. Depois de muito insistirem – aproximadamente dois segundos – e com o argumento forte de que eu poderia tirar fotos com a roupa, topei a brincadeira.

Andei por todo o jardim vestida de japonesa, fiz muitas fotos até que em certo momento, percebi que aquilo, certamente teria algum custo. Seis dólares incluindo uma fantasia? Não, também não era de graça. Dessa vez, 10 dólares pelo aluguel da roupa. De graça ou não, foi divertido. O jardim é realmente muito bonito e calmo. O lugar perfeito para as aulas de yoga e meditação que estão lançando por lá. Será que alguém me contrata para fazer a divulgação? 

Se não estivesse frio, poderia passar o dia aqui!


10 dólares e o mico é por tempo indeterminado...

A roupa é da princesa.... (qual?)