sexta-feira, agosto 19, 2011

Ai ai ai....hummm


Tem dias que fico tão sentimental. Escuto músicas velhas no computador, vejo e revejo cada uma das minhas fotos. Todas elas organizadas no meu computador em diversas pastas, por anos e situações. E aí fico aqui pensando que já fiz tanta coisa boa na minha vida. Parece que já fiz tanto. E foi mesmo um tanto.

E ai me lembro que não posso reclamar, de nada. Porque posso dizer que tenho conseguido chegar onde quero. Felizmente, de um jeito ou de outro, e às vezes nem sempre fácil, mas estou indo lá (mesmo que eu nem sempre saiba onde afinal seja lá). Já estou aqui afinal de contas. E nesses últimos dois anos pude realizar tanta coisa incrível pelas quais passei alguns anos sonhando.

Isso me faz pensar que realmente não há limites para os nossos sonhos. E que não é impossível ir ainda mais longe, o tão longe quanto eu sonhar. Penso que meus netos já terão um bocado de histórias legais pra ouvir da avó deles (ai que cafona isso né), claro, se eu tiver paciência de contar.

Mas é assim, tem sido assim. Tem dias em que me acho a mais ridícula das criaturas. Vinte e cinco anos, trabalhando em nada útil ou nada para que eu tenha estudado. Penso que devo estar congelada no tempo enquanto todos os outros têm ações tão mais furtivas e possíveis de os levarem a algum lugar. Outros dias simplesmente acordo e penso “obrigada”.   

Obrigaaaaaaaada por cada conquista. Aqui a gente aprende a importância de se ter paciência. E aprende que “baby steps” podem nos levar bem longe. Um passinho pequeno e depois outro e nunca parar de andar.

Zoológico

Depois de seis meses na Austrália vi Canguru e Coala pela primeira vez. São lindos, fofos, fofos, fofos e mais uma vez, fofos. Dá vontade de levar pra casa. Ou comprar o “annual pass” e voltar um milhão de vezes pra ver os bichinhos de novo e de novo. São dóceis e comportados e tudo mais.

Achei bacana o "self-service". Uma geladeira no meio do parque bem abastecida de comida para canguru. Fica logo ao lado de uma caixinha cheia de moedas com uma plaquinha explicando que o preço de cada potinho é um dólar. Parece incrível que a caixa estivesse cheia. E que ninguém roubou moedas. E que ninguém tentou simplesmente pegar a comida e fingir que não viu o aviso. Essa minha estupefação é quase vergonhosa. Afinal isso deveria ser normal e não admirável. 

terça-feira, julho 19, 2011

Que meda!

Pânico! Estou sem (motivação) novidades para escrever no blog e tenho que começar a pensar no esboço do meu livro! Lembrar disso já me dá um frio na barriga. Racionalmente não tenho motivos para preocupação. Afinal, não existe nenhuma cobrança para que o resultado do meu curso seja o próximo sucesso de vendas mundial.

Mas, o nome do curso, por si só, faz bastante pressão: Writing a Best-seller. Sentiu o drama? Eu não escolhi o curso “aprenda a ser escritora em 20 passos fáceis e indolores”, ou aquele outro, “aprenda dicas em inglês e seja escritora em português”. Não. Eu escolhi que queria escrever um Best-seller e entre as opções de fazê-lo em 18, 12 ou seis meses qual foi minha próxima brilhante idéia? Seis claro. Para que facilitar quando a gente pode se esforçar um pouquinho mais.

Minhas primeiras aulas foram interessantes. Porém, eles falam como se eu tivesse alguma idéia pronta em mente. Como se tivesse passado a vida toda imaginando uma história, apenas esperando que me indiquem o caminho por onde devo ir. Não, profes, me perdoem. Eu tenho só essa vontade de ser uma escritora, mas eu não tive ainda uma boa história pra começar.

Já pensei em algumas variedades de assuntos e personagens e nada liga a nada. Fico ainda um pouco mais tensa quando lembro que todas as idéias e fragmentos de frase que me vem à cabeça estão em português e preciso fazer tudo isso em inglês. Se tudo der errado e meu livro enfim não passar de um monte de peças desconexas, tenho certeza que será um grande aprendizado da língua inglesa. Confio que sim.

E agora?

Devo admitir. Estou insegura. E isso vem bloqueando as minhas idéias mais promissoras. Será? De tudo que li e dos diversos conselhos de escritores que me apresentaram até agora, uma frase me chamou atenção e foi digna de ser traduzida e passada ao meu caderninho.

“Escreva sem se preocupar em ser publicado, seja apaixonado pela sua história e seja desinibido e livre.”

O conselho principal é. Não escreva com medo de que o personagem possa revelar algo sobre você. Nem se preocupe com o fato de que alguém possa reconhecê-lo em sua própria história. Fique livre do que podem pensar a respeito. Vale o conselho. Sorte a minha que, a princípio, estou no gênero ficção. E posso inventar e colorir ou dramatizar a realidade o quanto eu quiser. Parece legal, não? Bem mais divertido que jornalismo... espero.

Enquanto isso...

Não fiz nenhum passeio interessante. Não conheci um novo lugar. Não sai do bairro nas últimas semanas. Porque? Sempre tem uma conta a ser paga. O visto, a renovação da passagem aérea, o aluguel, um Bond. E quando me dou conta lá se foram várias semanas sem que eu tenha feito algo divertido.

Continuo trabalhando no restaurante italiano, me esforçando pra que gostem de mim e me dêem cada vez mais horários de trabalho. Como disse o diretor da escola de inglês certa vez. “Na Austrália precisamos ser pacientes. Um passo de cada vez”. E assim tem sido. Ajeita uma coisinha aqui, outra ali e devagar tudo vai melhorando. O plano é: assim que possível vou esquiar numa cidade próxima. E numa próxima semana vou para Blue Montains. Feito isso, volto pra contar como foi. 

sábado, junho 18, 2011

Incrível, ela limpa!

Quando eu era criança eu tinha tarefas. Não me lembro exatamente se eram diárias ou semanais, ou a cada dois dias. Lembro que pra mim eram um fardo, uma afronta, escravidão, pra não dizer abuso de menores. Enquanto todas as meninas estavam no shopping (achava eu) a pobre Michele tinha que ajudar na casa.

Aquilo não era nada que tomasse mais do que 30 minutos do meu dia se eu realmente botasse a preguiça de lado e fizesse logo o que devia ser feito. O que geralmente acontecia é que eu passava horas sofrendo e empurrando pra mais tarde, ou invés de me livrar do problema o quanto antes. Mais ou menos como quando tinha uma prova muito difícil, ou um trabalho daqueles que não sabia nem por onde começar. Ia ficando pra depois, e depois até que nos 45 do segundo tempo eu levantava e terminava tudo correndo do jeito que desse.

Quanto as minhas tarefas – limpar o banheiro, ou varrer a casa, passar pano na cozinha – qualquer argumento que eu tentasse era insuficiente. Lembro que toda vez que eu questionava o porquê de ter que fazer aquilo, a resposta da minha mãe era a mesma:
– Porque você precisa aprender.
E não adiantava dizer que eu ia ser uma adulta rica com todo o dinheiro necessário para pagar alguém que limpasse a casa por mim. A resposta que vinha depois era ainda mais, digamos assim, eficiente:
- Uma boa patroa precisa saber como se faz. Porque assim pode avaliar se estava certo.

Minha mãe também nunca gostou de, após um dia longo e estressante de trabalho, encontrar uma bagunça ao chegar em casa. Louça na pia, farelo pela casa, roupa e sapatos pelo chão. Então aprendi, e não sei se digo que foi de uma maneira muito fácil, que uma casa limpa e organizada é um ambiente relaxante. Pra ser sincera, meu próprio lar não é um exemplo assim como eu não sou sempre organizada.

A questão é que eu ainda não sou uma adulta rica com dinheiro pra pagar alguém que limpe a minha casa. Eu sou paga pra cuidar de duas crianças grandes. E me sinto tão estranha de estar recebendo para não fazer nada (a não ser dar atenção pros meninos) que fico arrumando tudo que vejo pela frente na casa dos meus chefes. Lavo a louça, seco e ponho tudo de volta no lugar. Depois limpo o fogão (mesmo não sendo eu quem sujou) e então seco a pia até que fique brilhando. Ai eu recolho os lixos da cozinha e arrumo o quarto das crianças. E cuida pra recolher a bagunça deles pra que os pais, que pagam meu salário, possam voltar pra casa e não se preocupar com nada disso.

Eu acho que não faço mais do que minha obrigação. Isso me lembra do meu pai, que adora essa frase! Mas meus chefes estão muito felizes comigo. Dizem que as crianças adoram passar as tardes comigo. E confidenciam impressionados pra minha vizinha (que é a ex-mulher do meu chefe):
- Ela é tão amável, dá pra acreditar que ela limpa minha casa?

Só tenho a dizer que tudo isso eu devo a minha mãe. Que se esforçou muito e digo que foi mesmo muito, pra que eu não virasse uma porquinha.

So thanks mom!


Leichhardt da minha varanda...

Moro num pedacinho (pequeno mesmo) dessa casa

quinta-feira, junho 09, 2011

Continuo aqui...

Quando o dinheiro acaba a nossa percepção das coisas, ou pelo menos a minha, também se anula completamente. Não consegui pensar em nada interessante para compartilhar, porque estive com a cabeça ocupada pensando: o que mais posso fazer pra conseguir um emprego melhor, salário melhor ou no final das contas, qualquer trocado digno – o que já é muito melhor que nada.

Primeiro tudo deu errado. Ai começou a melhorar. Depois vieram as coisas ao mesmo tempo e finalmente parece que a vida começa a se ajeitar. Será? Estou em novos empregos, mas ainda não abandonei a área de comunicação e entretenimento. Durante o dia cuido de duas crianças, de 10 e 12 anos. Entre elas, uma menina muito “papuda” com a qual pacientemente (sim, é verdade) converso a tarde inteira.

A Tailah me mostrou que eu posso ser muito calma e atenciosa. Porque eu preparo o sorvete com a maior boa vontade quando ela me pede, mesmo depois de eu ter acabado de limpar a cozinha inteira e secar a pia. Ou faço pasta no meio da tarde porque ela acha que isso combina no chá das cinco. E nos dias que estou realmente disposta, ainda viro de cabeça pra baixo pra mostrar que ainda lembro alguma coisa de quando fazia ginástica olímpica. Por mais que isso me dê uma terrível dor nas costas (sedentária).

Já o Todd, como todo pré-adolescente, tem vergonha de ser levado para escola por uma babá. Caminha meio metro atrás e quando chega na esquina do colégio, sai correndo na frente antes que alguém o reconheça. Eu finjo que não vejo coitadinho. Afinal, ele está certo. Já é mesmo muito grande pra ir acompanhado pela nanny até o colégio. Ele só fala quando está de boa vontade e se tiver algo interessante para dizer (grande garoto!). Senão, fica quieto, no canto dele lendo revistas ou burlando a regra dos 30 minutos de vídeo game – que eu sempre finjo que me engano e acaba virando uma hora.

Nos finais de semana estou me virando no ramo do entretenimento. Já apareci até no canal local. Viu só?! E ainda tinha gente que duvidava que um dia eu aparecesse na televisão! Trabalhei como garçonete num casamento muito fino, filmado pelo canal 9, ou pelo 7, já nem sei mais. E tudo isso sem derrubar nenhuma bandeja nem molhar nenhum convidado! Aha, demais!

Jardim Chinês

O bom de ter um emprego, seja ele qual for, é que finalmente sobra um dinheirinho para passear e conhecer lugares legais, já que em Sydney não se faz nada de graça. Li meu livro de dicas turísticas da Austrália, pesquisei na internet os preços de todos os passeios que eu gostaria de fazer e acabei escolhendo o Chinese Garden of  Friendship porque parecia bacana e principalmente, porque pensei ser de graça, como qualquer parque aberto da cidade.

Não era! Mas também não custou caro. Seis dólares o direito de entrar e passar o dia todo relaxando, tirando fotos. Logo na primeira trilha que peguei vi uma loja de roupas típicas japonesas. Olhei pelo lado de fora e vi aquele monte de tecido colorido lá dentro. Entrei, claro, afinal olhar loja nunca custou dinheiro. Logo que botei o pé para dentro já fui cercada por duas japas que escolheram pra mim a roupa da princesa. Depois de muito insistirem – aproximadamente dois segundos – e com o argumento forte de que eu poderia tirar fotos com a roupa, topei a brincadeira.

Andei por todo o jardim vestida de japonesa, fiz muitas fotos até que em certo momento, percebi que aquilo, certamente teria algum custo. Seis dólares incluindo uma fantasia? Não, também não era de graça. Dessa vez, 10 dólares pelo aluguel da roupa. De graça ou não, foi divertido. O jardim é realmente muito bonito e calmo. O lugar perfeito para as aulas de yoga e meditação que estão lançando por lá. Será que alguém me contrata para fazer a divulgação? 

Se não estivesse frio, poderia passar o dia aqui!


10 dólares e o mico é por tempo indeterminado...

A roupa é da princesa.... (qual?)


domingo, maio 01, 2011

A Itália nunca sai de você!


Eu não gosto de ser preconceituosa. E longe de mim querer generalizar. Mas os napolitanos... Ah, são muito mafiosos (ok, isso todos já sabem). Devo dizer, antes que alguém se confunda: não, eu não estou de volta à Itália. Continuo em Sydney sem nenhum plano imediato de ir para lá.

O que acontece é que eles, os italianos, estão em todos os lugares. É pegar um ônibus que ta lá, mais um deles esperando o mesmo “busã”. Aqui abro um parêntese - alguém já ouviu um italiano falando inglês? O sotaque deles é tão engraçado quanto o meu deve parecer para um indiano. Mas, de qualquer forma, não sendo eu italiana, posso rir deles o quanto quiser.

Eu já devia ter aprendido a lição, fique longe dos napolitanos. Mas quando vejo – e com aviso prévio – me mudo para uma casa gerenciada por um moço nem um pouco simpático, chamado, que ironia, Michele (que em italiano vira Miquele). O “querido” Michele tem 25 anos, as olheiras mais pretas que eu já vi e o mau humor mais desagradável que presenciei. Ele é casado com uma australiana que passa fácil dos 40 e roda com um carro presenteado pela esposa. Ela também aluga várias casas em seu nome para que ele possa gerenciar. Muito generosa.

Tive alguns problemas com esse moço. Tentei, em vão, separar a personalidade do indivíduo da cidadania dele, mas com napolitanos, isso fica complicado. Mesmo a amiga portuguesa com quem dividi a casa afirmou: “se eu soubesse que ele era de Napoli não tinha vindo pra cá!”. E completou: “Céus, o que eu faço agora?”.

Vai acabar acontecendo com os italianos o mesmo que se aplica aos brasileiros em muitas ocasiões. A má conduta de uns, acaba por baixar a tolerância do Mundo em relação ao país. Digo isso porque a mesma amiga de Lisboa, Joana, tocou em outro ponto interessante. Disse ela que as prostitutas que da Europa são, em grande parte, brasileiras e romenas. Não dá nem pra se ofender quando escutamos frases do tipo: “brasileiras são vulgares”.

Casinha nova e mais italianos

Percebi que não dava para ficar na casa do italiano e resolvi me mudar. Envio um doce por Sedex para quem adivinhar qual a nacionalidade preponderante das pessoas que vivem no mesmo bairro que eu, Leichhardt. Alguém respondeu italiana? Eu não aprendo nunca.

Sim, vim parar no bairro onde se concentram os italianos. Pra piorar (ou melhorar) eu adoro aqui! Acho o bairro uma gracinha. Tem um clima bem familiar. As pessoas saem na rua para passear no fim de tarde e o que mais se vê são cachorros lindos e carrinhos de bebês fofos. As lojas anunciam produtos “direto da Itália” e os restaurantes da região são na maioria italianos.

Mas, com certeza, não foi por eles que eu vim para cá. Acabei aqui porque encontrei um quartinho muito bom, na casa de uma australiana bacana e vizinha de uma família Libanesa que está sempre disposta a ajudar. Ganhei pratos e toda a aparelhagem para a minha mini cozinha e toda semana pego um DVD emprestado com a proprietária. Mesmo morando bem mais longe da escola do que na primeira casa, conviver com pessoas amáveis e decentes, não tem preço.

Essa e as outros fotos foram tiradas em alguma parte do caminho entre Bronte e Coogee

Desde criança tiro esse tipo de foto. Eu tentando segurar um gato que tenta fugir





quinta-feira, março 24, 2011

Saudade


Às vezes bate. Não como da primeira vez, quando embarquei no navio, mas bate. Sinto falta de ouvir português, de andar nas ruas sabendo pra onde estou indo, ouvir rádios brasileiras, acompanhar novelas, da comidinha da mamãe todas as noites. Um pouquinho de falta de implicar com meu irmãozinho (que vai ser pequeno pra sempre).
Mas ai eu penso no quanto isso vai acrescentar na minha vida e vejo o que é válido. Afinal, o que eu estaria fazendo no Brasil? Talvez procurando um emprego como jornalista para após algumas semanas me sentir frustrada por não ter ido morar em outro país por uns tempos. E afinal, a grama do vizinho (ou do país nem tão vizinho assim) é sempre mais verdinha.
Estou trabalhando. Larguei o jornalismo e entrei pro ramo da publicidade. Posso dizer que sou auxiliar de assuntos publicitários. Também estou fazendo academia. Muito exercício aeróbico e um pouco de força também. Estudo inglês e ainda sobra um tempo pra fazer turismo por todos os bairros de Sydney. Parece perfeito! Só um jeito de ganhar a vida. Cada dia da semana caminho por um bairro diferente largando panfletos em caixas de correio. Carrego vários quilos de papel. Canso, praguejo, olho pra cima e pergunto: - Porque Deus? Mas no final chego em casa feliz, porque está entrando um dinheiro e me mantenho ocupada.

Os bairros

Sydney parece um mundo inteiro numa cidade só. E não estou falando só pelo tamanho, é imensa, mas pela diversidade cultural. Cada bairro se tornou um gueto, um pedacinho de algum país distante que os imigrantes tentam transformar em lar.
Bondi e Manly são o 27º e 28º estados do Brasil. Têm pessoas falando português nas ruas. E aquele clima de excitação, típico da cultura brasileira. O bairro é alegre, agitado, ensolarado – apesar de ter sempre mais vento que os outros. Os restaurantes são brasileiros, as festas são para brasileiros, música, enfim, é como se todos os estados do Brasil se misturassem num só.
A city é povoada pelos chineses, orientais em geral. Mas é lá que temos China Town, inúmeros restaurantes chineses, japoneses e tudo, mas tudo que você possa precisar, “made in China”, portanto, mais barato. Até frutas e verduras são mais baratas lá. Incrível como Chinês consegue transformar tudo em preços mais acessíveis. E claro, o bairro é decorado com motivos chineses, arcos luzes, gracinha.
E assim temos o bairro dos italianos, dos franceses e dos muçulmanos, não sei exato de qual país. Fui bem longe entregar panfletos na última semana e fiquei impressionada. De repente todos usavam vestidos (não são vestidos claro, qual o nome?) os homens tinham aquela barba grande e todas as mulheres cobriam os cabelos e o corpo todo. Será que o trem me levou tão longe assim que fui parar em outro país? Parece, sempre parece. Porque a cada estação que desço vejo uma Sydney diferente, transformada por culturas tão diversas que só numa viagem de volta ao mundo teríamos a oportunidade de ver. 
E isso que é bacana nesse meu emprego. Todo dia eu me perco num bairro novo e descubro uma cidade nova.


Harbour Bridge. Vi em um programa na televisão que com 200 doláres e muitos equipamentos de segurança é possível caminhar por sobre os arcos da ponte.

Opera House, o orgulho dos australianos. Ainda não entrei, mas acontecem vários espetáculos lá.


As duas são em Paddington. O bairro onde eu queria morar por causa das casa gracinhas que têm.

Passeio no Zoo. $25,00 com excursão da escola. 

sábado, março 12, 2011

E daí que era carnaval?







Aqui temos Mardi Gras. Não é exatamente carnaval, nem de longe tem a mesma graça, o mesmo brilho, mas no fim é a mesma coisa. Quer ver? Carnaval tem um monte de bêbado andando na rua, seguindo uma multidão sem saber pra onde. Mardi Gras também. No carnaval os homens se vestem de mulher e as meninas usam roupas minúsculas. No Mardi Gras também. Carnaval tem desfile de carro alegórico e de passistas. O Mardi Gras também!!!!

Mas, o Mardi Gras não é carnaval, por um simples detalhe. Aqui a festa é gay. As ruas são todas decoradas com as cores do arco-íris e podemos ver não apenas um monte de gays, mas bibas saltitantes, daquelas que usam salto alto e mini saia. Todas elas se reúnem no início (ou seria o fim) da Oxford Street, bem no ponto em que ela se encontra com a Elizabeth Street. Lá é a concentração pro desfile que começa às 21 horas. São vários carros temáticos estampando o orgulho gay e as “meninas” circulam muito faceiras (ninguém, de nenhum outro estado do Brasil conhece essa palavra e dizem que gaúcho inventa nome diferente pra todas as coisas), abraçadas, de mãos dadas, mandando tchauzinho para todos que assistem.

E não pensem que ninguém da importância para a Parade. Todos dão. Reúnem-se em festas, bebem até cair, dançam a noite toda, o dia seguinte inteiro e ainda alguns dias mais. Será que foi um brasileiro que triste por perder o carnaval (e gay, claro) resolveu criar o Mardi Gras? Hum, não sei o motivo da festa, vou tentar pesquisar, sei apenas que o povo gosta. Eu tentei ver, mas só tentei. Sai de casa às 19 horas quando as pessoas já estavam enlouquecidas e bêbadas andando pelas ruas. Andei mais de 30 minutos na multidão para achar um espacinho na Oxford onde eu pelo menos pudesse ficar parada. Mas quem disse que eu via algo? Vi nada. O pessoal aqui é esperto, eles chegam cedo, lá pela uma da tarde e vão munidos de bancos e caixas de frutas para garantir que enxergarão por cima de todas as cabeças e que ninguém enxergará por cima das deles.

Isso tudo foi no sábado, 5 de março. No domingo, quando eu estava em plena mudança fui perceber que minha nova morada fica bem no território gay. Aqui bem pertinho tem festa toda hora, mas a rua que moro é muito tranqüila e eu não escuto nunca o barulho da rua. Até acho bom, porque quando precisar voltar para casa tarde, a rua aqui terá sempre movimento - de homens, claro. Ah e de mãos dadas uns com os outros.

Consegui apenas algumas fotinhos – e foi com muito esforço – que coloquei aqui. E para os interessados, consegui meus primeiros dólares na Austrália montando pizzas num restaurante um pouco longe de casa. Mas tudo bem. O dono disse que segue ligando quando precisar. O dinheiro é pouco, mas vou torcer pra que ele precise!