sexta-feira, agosto 19, 2011

Ai ai ai....hummm


Tem dias que fico tão sentimental. Escuto músicas velhas no computador, vejo e revejo cada uma das minhas fotos. Todas elas organizadas no meu computador em diversas pastas, por anos e situações. E aí fico aqui pensando que já fiz tanta coisa boa na minha vida. Parece que já fiz tanto. E foi mesmo um tanto.

E ai me lembro que não posso reclamar, de nada. Porque posso dizer que tenho conseguido chegar onde quero. Felizmente, de um jeito ou de outro, e às vezes nem sempre fácil, mas estou indo lá (mesmo que eu nem sempre saiba onde afinal seja lá). Já estou aqui afinal de contas. E nesses últimos dois anos pude realizar tanta coisa incrível pelas quais passei alguns anos sonhando.

Isso me faz pensar que realmente não há limites para os nossos sonhos. E que não é impossível ir ainda mais longe, o tão longe quanto eu sonhar. Penso que meus netos já terão um bocado de histórias legais pra ouvir da avó deles (ai que cafona isso né), claro, se eu tiver paciência de contar.

Mas é assim, tem sido assim. Tem dias em que me acho a mais ridícula das criaturas. Vinte e cinco anos, trabalhando em nada útil ou nada para que eu tenha estudado. Penso que devo estar congelada no tempo enquanto todos os outros têm ações tão mais furtivas e possíveis de os levarem a algum lugar. Outros dias simplesmente acordo e penso “obrigada”.   

Obrigaaaaaaaada por cada conquista. Aqui a gente aprende a importância de se ter paciência. E aprende que “baby steps” podem nos levar bem longe. Um passinho pequeno e depois outro e nunca parar de andar.

Zoológico

Depois de seis meses na Austrália vi Canguru e Coala pela primeira vez. São lindos, fofos, fofos, fofos e mais uma vez, fofos. Dá vontade de levar pra casa. Ou comprar o “annual pass” e voltar um milhão de vezes pra ver os bichinhos de novo e de novo. São dóceis e comportados e tudo mais.

Achei bacana o "self-service". Uma geladeira no meio do parque bem abastecida de comida para canguru. Fica logo ao lado de uma caixinha cheia de moedas com uma plaquinha explicando que o preço de cada potinho é um dólar. Parece incrível que a caixa estivesse cheia. E que ninguém roubou moedas. E que ninguém tentou simplesmente pegar a comida e fingir que não viu o aviso. Essa minha estupefação é quase vergonhosa. Afinal isso deveria ser normal e não admirável. 

terça-feira, julho 19, 2011

Que meda!

Pânico! Estou sem (motivação) novidades para escrever no blog e tenho que começar a pensar no esboço do meu livro! Lembrar disso já me dá um frio na barriga. Racionalmente não tenho motivos para preocupação. Afinal, não existe nenhuma cobrança para que o resultado do meu curso seja o próximo sucesso de vendas mundial.

Mas, o nome do curso, por si só, faz bastante pressão: Writing a Best-seller. Sentiu o drama? Eu não escolhi o curso “aprenda a ser escritora em 20 passos fáceis e indolores”, ou aquele outro, “aprenda dicas em inglês e seja escritora em português”. Não. Eu escolhi que queria escrever um Best-seller e entre as opções de fazê-lo em 18, 12 ou seis meses qual foi minha próxima brilhante idéia? Seis claro. Para que facilitar quando a gente pode se esforçar um pouquinho mais.

Minhas primeiras aulas foram interessantes. Porém, eles falam como se eu tivesse alguma idéia pronta em mente. Como se tivesse passado a vida toda imaginando uma história, apenas esperando que me indiquem o caminho por onde devo ir. Não, profes, me perdoem. Eu tenho só essa vontade de ser uma escritora, mas eu não tive ainda uma boa história pra começar.

Já pensei em algumas variedades de assuntos e personagens e nada liga a nada. Fico ainda um pouco mais tensa quando lembro que todas as idéias e fragmentos de frase que me vem à cabeça estão em português e preciso fazer tudo isso em inglês. Se tudo der errado e meu livro enfim não passar de um monte de peças desconexas, tenho certeza que será um grande aprendizado da língua inglesa. Confio que sim.

E agora?

Devo admitir. Estou insegura. E isso vem bloqueando as minhas idéias mais promissoras. Será? De tudo que li e dos diversos conselhos de escritores que me apresentaram até agora, uma frase me chamou atenção e foi digna de ser traduzida e passada ao meu caderninho.

“Escreva sem se preocupar em ser publicado, seja apaixonado pela sua história e seja desinibido e livre.”

O conselho principal é. Não escreva com medo de que o personagem possa revelar algo sobre você. Nem se preocupe com o fato de que alguém possa reconhecê-lo em sua própria história. Fique livre do que podem pensar a respeito. Vale o conselho. Sorte a minha que, a princípio, estou no gênero ficção. E posso inventar e colorir ou dramatizar a realidade o quanto eu quiser. Parece legal, não? Bem mais divertido que jornalismo... espero.

Enquanto isso...

Não fiz nenhum passeio interessante. Não conheci um novo lugar. Não sai do bairro nas últimas semanas. Porque? Sempre tem uma conta a ser paga. O visto, a renovação da passagem aérea, o aluguel, um Bond. E quando me dou conta lá se foram várias semanas sem que eu tenha feito algo divertido.

Continuo trabalhando no restaurante italiano, me esforçando pra que gostem de mim e me dêem cada vez mais horários de trabalho. Como disse o diretor da escola de inglês certa vez. “Na Austrália precisamos ser pacientes. Um passo de cada vez”. E assim tem sido. Ajeita uma coisinha aqui, outra ali e devagar tudo vai melhorando. O plano é: assim que possível vou esquiar numa cidade próxima. E numa próxima semana vou para Blue Montains. Feito isso, volto pra contar como foi. 

sábado, junho 18, 2011

Incrível, ela limpa!

Quando eu era criança eu tinha tarefas. Não me lembro exatamente se eram diárias ou semanais, ou a cada dois dias. Lembro que pra mim eram um fardo, uma afronta, escravidão, pra não dizer abuso de menores. Enquanto todas as meninas estavam no shopping (achava eu) a pobre Michele tinha que ajudar na casa.

Aquilo não era nada que tomasse mais do que 30 minutos do meu dia se eu realmente botasse a preguiça de lado e fizesse logo o que devia ser feito. O que geralmente acontecia é que eu passava horas sofrendo e empurrando pra mais tarde, ou invés de me livrar do problema o quanto antes. Mais ou menos como quando tinha uma prova muito difícil, ou um trabalho daqueles que não sabia nem por onde começar. Ia ficando pra depois, e depois até que nos 45 do segundo tempo eu levantava e terminava tudo correndo do jeito que desse.

Quanto as minhas tarefas – limpar o banheiro, ou varrer a casa, passar pano na cozinha – qualquer argumento que eu tentasse era insuficiente. Lembro que toda vez que eu questionava o porquê de ter que fazer aquilo, a resposta da minha mãe era a mesma:
– Porque você precisa aprender.
E não adiantava dizer que eu ia ser uma adulta rica com todo o dinheiro necessário para pagar alguém que limpasse a casa por mim. A resposta que vinha depois era ainda mais, digamos assim, eficiente:
- Uma boa patroa precisa saber como se faz. Porque assim pode avaliar se estava certo.

Minha mãe também nunca gostou de, após um dia longo e estressante de trabalho, encontrar uma bagunça ao chegar em casa. Louça na pia, farelo pela casa, roupa e sapatos pelo chão. Então aprendi, e não sei se digo que foi de uma maneira muito fácil, que uma casa limpa e organizada é um ambiente relaxante. Pra ser sincera, meu próprio lar não é um exemplo assim como eu não sou sempre organizada.

A questão é que eu ainda não sou uma adulta rica com dinheiro pra pagar alguém que limpe a minha casa. Eu sou paga pra cuidar de duas crianças grandes. E me sinto tão estranha de estar recebendo para não fazer nada (a não ser dar atenção pros meninos) que fico arrumando tudo que vejo pela frente na casa dos meus chefes. Lavo a louça, seco e ponho tudo de volta no lugar. Depois limpo o fogão (mesmo não sendo eu quem sujou) e então seco a pia até que fique brilhando. Ai eu recolho os lixos da cozinha e arrumo o quarto das crianças. E cuida pra recolher a bagunça deles pra que os pais, que pagam meu salário, possam voltar pra casa e não se preocupar com nada disso.

Eu acho que não faço mais do que minha obrigação. Isso me lembra do meu pai, que adora essa frase! Mas meus chefes estão muito felizes comigo. Dizem que as crianças adoram passar as tardes comigo. E confidenciam impressionados pra minha vizinha (que é a ex-mulher do meu chefe):
- Ela é tão amável, dá pra acreditar que ela limpa minha casa?

Só tenho a dizer que tudo isso eu devo a minha mãe. Que se esforçou muito e digo que foi mesmo muito, pra que eu não virasse uma porquinha.

So thanks mom!


Leichhardt da minha varanda...

Moro num pedacinho (pequeno mesmo) dessa casa

quinta-feira, junho 09, 2011

Continuo aqui...

Quando o dinheiro acaba a nossa percepção das coisas, ou pelo menos a minha, também se anula completamente. Não consegui pensar em nada interessante para compartilhar, porque estive com a cabeça ocupada pensando: o que mais posso fazer pra conseguir um emprego melhor, salário melhor ou no final das contas, qualquer trocado digno – o que já é muito melhor que nada.

Primeiro tudo deu errado. Ai começou a melhorar. Depois vieram as coisas ao mesmo tempo e finalmente parece que a vida começa a se ajeitar. Será? Estou em novos empregos, mas ainda não abandonei a área de comunicação e entretenimento. Durante o dia cuido de duas crianças, de 10 e 12 anos. Entre elas, uma menina muito “papuda” com a qual pacientemente (sim, é verdade) converso a tarde inteira.

A Tailah me mostrou que eu posso ser muito calma e atenciosa. Porque eu preparo o sorvete com a maior boa vontade quando ela me pede, mesmo depois de eu ter acabado de limpar a cozinha inteira e secar a pia. Ou faço pasta no meio da tarde porque ela acha que isso combina no chá das cinco. E nos dias que estou realmente disposta, ainda viro de cabeça pra baixo pra mostrar que ainda lembro alguma coisa de quando fazia ginástica olímpica. Por mais que isso me dê uma terrível dor nas costas (sedentária).

Já o Todd, como todo pré-adolescente, tem vergonha de ser levado para escola por uma babá. Caminha meio metro atrás e quando chega na esquina do colégio, sai correndo na frente antes que alguém o reconheça. Eu finjo que não vejo coitadinho. Afinal, ele está certo. Já é mesmo muito grande pra ir acompanhado pela nanny até o colégio. Ele só fala quando está de boa vontade e se tiver algo interessante para dizer (grande garoto!). Senão, fica quieto, no canto dele lendo revistas ou burlando a regra dos 30 minutos de vídeo game – que eu sempre finjo que me engano e acaba virando uma hora.

Nos finais de semana estou me virando no ramo do entretenimento. Já apareci até no canal local. Viu só?! E ainda tinha gente que duvidava que um dia eu aparecesse na televisão! Trabalhei como garçonete num casamento muito fino, filmado pelo canal 9, ou pelo 7, já nem sei mais. E tudo isso sem derrubar nenhuma bandeja nem molhar nenhum convidado! Aha, demais!

Jardim Chinês

O bom de ter um emprego, seja ele qual for, é que finalmente sobra um dinheirinho para passear e conhecer lugares legais, já que em Sydney não se faz nada de graça. Li meu livro de dicas turísticas da Austrália, pesquisei na internet os preços de todos os passeios que eu gostaria de fazer e acabei escolhendo o Chinese Garden of  Friendship porque parecia bacana e principalmente, porque pensei ser de graça, como qualquer parque aberto da cidade.

Não era! Mas também não custou caro. Seis dólares o direito de entrar e passar o dia todo relaxando, tirando fotos. Logo na primeira trilha que peguei vi uma loja de roupas típicas japonesas. Olhei pelo lado de fora e vi aquele monte de tecido colorido lá dentro. Entrei, claro, afinal olhar loja nunca custou dinheiro. Logo que botei o pé para dentro já fui cercada por duas japas que escolheram pra mim a roupa da princesa. Depois de muito insistirem – aproximadamente dois segundos – e com o argumento forte de que eu poderia tirar fotos com a roupa, topei a brincadeira.

Andei por todo o jardim vestida de japonesa, fiz muitas fotos até que em certo momento, percebi que aquilo, certamente teria algum custo. Seis dólares incluindo uma fantasia? Não, também não era de graça. Dessa vez, 10 dólares pelo aluguel da roupa. De graça ou não, foi divertido. O jardim é realmente muito bonito e calmo. O lugar perfeito para as aulas de yoga e meditação que estão lançando por lá. Será que alguém me contrata para fazer a divulgação? 

Se não estivesse frio, poderia passar o dia aqui!


10 dólares e o mico é por tempo indeterminado...

A roupa é da princesa.... (qual?)


domingo, maio 01, 2011

A Itália nunca sai de você!


Eu não gosto de ser preconceituosa. E longe de mim querer generalizar. Mas os napolitanos... Ah, são muito mafiosos (ok, isso todos já sabem). Devo dizer, antes que alguém se confunda: não, eu não estou de volta à Itália. Continuo em Sydney sem nenhum plano imediato de ir para lá.

O que acontece é que eles, os italianos, estão em todos os lugares. É pegar um ônibus que ta lá, mais um deles esperando o mesmo “busã”. Aqui abro um parêntese - alguém já ouviu um italiano falando inglês? O sotaque deles é tão engraçado quanto o meu deve parecer para um indiano. Mas, de qualquer forma, não sendo eu italiana, posso rir deles o quanto quiser.

Eu já devia ter aprendido a lição, fique longe dos napolitanos. Mas quando vejo – e com aviso prévio – me mudo para uma casa gerenciada por um moço nem um pouco simpático, chamado, que ironia, Michele (que em italiano vira Miquele). O “querido” Michele tem 25 anos, as olheiras mais pretas que eu já vi e o mau humor mais desagradável que presenciei. Ele é casado com uma australiana que passa fácil dos 40 e roda com um carro presenteado pela esposa. Ela também aluga várias casas em seu nome para que ele possa gerenciar. Muito generosa.

Tive alguns problemas com esse moço. Tentei, em vão, separar a personalidade do indivíduo da cidadania dele, mas com napolitanos, isso fica complicado. Mesmo a amiga portuguesa com quem dividi a casa afirmou: “se eu soubesse que ele era de Napoli não tinha vindo pra cá!”. E completou: “Céus, o que eu faço agora?”.

Vai acabar acontecendo com os italianos o mesmo que se aplica aos brasileiros em muitas ocasiões. A má conduta de uns, acaba por baixar a tolerância do Mundo em relação ao país. Digo isso porque a mesma amiga de Lisboa, Joana, tocou em outro ponto interessante. Disse ela que as prostitutas que da Europa são, em grande parte, brasileiras e romenas. Não dá nem pra se ofender quando escutamos frases do tipo: “brasileiras são vulgares”.

Casinha nova e mais italianos

Percebi que não dava para ficar na casa do italiano e resolvi me mudar. Envio um doce por Sedex para quem adivinhar qual a nacionalidade preponderante das pessoas que vivem no mesmo bairro que eu, Leichhardt. Alguém respondeu italiana? Eu não aprendo nunca.

Sim, vim parar no bairro onde se concentram os italianos. Pra piorar (ou melhorar) eu adoro aqui! Acho o bairro uma gracinha. Tem um clima bem familiar. As pessoas saem na rua para passear no fim de tarde e o que mais se vê são cachorros lindos e carrinhos de bebês fofos. As lojas anunciam produtos “direto da Itália” e os restaurantes da região são na maioria italianos.

Mas, com certeza, não foi por eles que eu vim para cá. Acabei aqui porque encontrei um quartinho muito bom, na casa de uma australiana bacana e vizinha de uma família Libanesa que está sempre disposta a ajudar. Ganhei pratos e toda a aparelhagem para a minha mini cozinha e toda semana pego um DVD emprestado com a proprietária. Mesmo morando bem mais longe da escola do que na primeira casa, conviver com pessoas amáveis e decentes, não tem preço.

Essa e as outros fotos foram tiradas em alguma parte do caminho entre Bronte e Coogee

Desde criança tiro esse tipo de foto. Eu tentando segurar um gato que tenta fugir





quinta-feira, março 24, 2011

Saudade


Às vezes bate. Não como da primeira vez, quando embarquei no navio, mas bate. Sinto falta de ouvir português, de andar nas ruas sabendo pra onde estou indo, ouvir rádios brasileiras, acompanhar novelas, da comidinha da mamãe todas as noites. Um pouquinho de falta de implicar com meu irmãozinho (que vai ser pequeno pra sempre).
Mas ai eu penso no quanto isso vai acrescentar na minha vida e vejo o que é válido. Afinal, o que eu estaria fazendo no Brasil? Talvez procurando um emprego como jornalista para após algumas semanas me sentir frustrada por não ter ido morar em outro país por uns tempos. E afinal, a grama do vizinho (ou do país nem tão vizinho assim) é sempre mais verdinha.
Estou trabalhando. Larguei o jornalismo e entrei pro ramo da publicidade. Posso dizer que sou auxiliar de assuntos publicitários. Também estou fazendo academia. Muito exercício aeróbico e um pouco de força também. Estudo inglês e ainda sobra um tempo pra fazer turismo por todos os bairros de Sydney. Parece perfeito! Só um jeito de ganhar a vida. Cada dia da semana caminho por um bairro diferente largando panfletos em caixas de correio. Carrego vários quilos de papel. Canso, praguejo, olho pra cima e pergunto: - Porque Deus? Mas no final chego em casa feliz, porque está entrando um dinheiro e me mantenho ocupada.

Os bairros

Sydney parece um mundo inteiro numa cidade só. E não estou falando só pelo tamanho, é imensa, mas pela diversidade cultural. Cada bairro se tornou um gueto, um pedacinho de algum país distante que os imigrantes tentam transformar em lar.
Bondi e Manly são o 27º e 28º estados do Brasil. Têm pessoas falando português nas ruas. E aquele clima de excitação, típico da cultura brasileira. O bairro é alegre, agitado, ensolarado – apesar de ter sempre mais vento que os outros. Os restaurantes são brasileiros, as festas são para brasileiros, música, enfim, é como se todos os estados do Brasil se misturassem num só.
A city é povoada pelos chineses, orientais em geral. Mas é lá que temos China Town, inúmeros restaurantes chineses, japoneses e tudo, mas tudo que você possa precisar, “made in China”, portanto, mais barato. Até frutas e verduras são mais baratas lá. Incrível como Chinês consegue transformar tudo em preços mais acessíveis. E claro, o bairro é decorado com motivos chineses, arcos luzes, gracinha.
E assim temos o bairro dos italianos, dos franceses e dos muçulmanos, não sei exato de qual país. Fui bem longe entregar panfletos na última semana e fiquei impressionada. De repente todos usavam vestidos (não são vestidos claro, qual o nome?) os homens tinham aquela barba grande e todas as mulheres cobriam os cabelos e o corpo todo. Será que o trem me levou tão longe assim que fui parar em outro país? Parece, sempre parece. Porque a cada estação que desço vejo uma Sydney diferente, transformada por culturas tão diversas que só numa viagem de volta ao mundo teríamos a oportunidade de ver. 
E isso que é bacana nesse meu emprego. Todo dia eu me perco num bairro novo e descubro uma cidade nova.


Harbour Bridge. Vi em um programa na televisão que com 200 doláres e muitos equipamentos de segurança é possível caminhar por sobre os arcos da ponte.

Opera House, o orgulho dos australianos. Ainda não entrei, mas acontecem vários espetáculos lá.


As duas são em Paddington. O bairro onde eu queria morar por causa das casa gracinhas que têm.

Passeio no Zoo. $25,00 com excursão da escola. 

sábado, março 12, 2011

E daí que era carnaval?







Aqui temos Mardi Gras. Não é exatamente carnaval, nem de longe tem a mesma graça, o mesmo brilho, mas no fim é a mesma coisa. Quer ver? Carnaval tem um monte de bêbado andando na rua, seguindo uma multidão sem saber pra onde. Mardi Gras também. No carnaval os homens se vestem de mulher e as meninas usam roupas minúsculas. No Mardi Gras também. Carnaval tem desfile de carro alegórico e de passistas. O Mardi Gras também!!!!

Mas, o Mardi Gras não é carnaval, por um simples detalhe. Aqui a festa é gay. As ruas são todas decoradas com as cores do arco-íris e podemos ver não apenas um monte de gays, mas bibas saltitantes, daquelas que usam salto alto e mini saia. Todas elas se reúnem no início (ou seria o fim) da Oxford Street, bem no ponto em que ela se encontra com a Elizabeth Street. Lá é a concentração pro desfile que começa às 21 horas. São vários carros temáticos estampando o orgulho gay e as “meninas” circulam muito faceiras (ninguém, de nenhum outro estado do Brasil conhece essa palavra e dizem que gaúcho inventa nome diferente pra todas as coisas), abraçadas, de mãos dadas, mandando tchauzinho para todos que assistem.

E não pensem que ninguém da importância para a Parade. Todos dão. Reúnem-se em festas, bebem até cair, dançam a noite toda, o dia seguinte inteiro e ainda alguns dias mais. Será que foi um brasileiro que triste por perder o carnaval (e gay, claro) resolveu criar o Mardi Gras? Hum, não sei o motivo da festa, vou tentar pesquisar, sei apenas que o povo gosta. Eu tentei ver, mas só tentei. Sai de casa às 19 horas quando as pessoas já estavam enlouquecidas e bêbadas andando pelas ruas. Andei mais de 30 minutos na multidão para achar um espacinho na Oxford onde eu pelo menos pudesse ficar parada. Mas quem disse que eu via algo? Vi nada. O pessoal aqui é esperto, eles chegam cedo, lá pela uma da tarde e vão munidos de bancos e caixas de frutas para garantir que enxergarão por cima de todas as cabeças e que ninguém enxergará por cima das deles.

Isso tudo foi no sábado, 5 de março. No domingo, quando eu estava em plena mudança fui perceber que minha nova morada fica bem no território gay. Aqui bem pertinho tem festa toda hora, mas a rua que moro é muito tranqüila e eu não escuto nunca o barulho da rua. Até acho bom, porque quando precisar voltar para casa tarde, a rua aqui terá sempre movimento - de homens, claro. Ah e de mãos dadas uns com os outros.

Consegui apenas algumas fotinhos – e foi com muito esforço – que coloquei aqui. E para os interessados, consegui meus primeiros dólares na Austrália montando pizzas num restaurante um pouco longe de casa. Mas tudo bem. O dono disse que segue ligando quando precisar. O dinheiro é pouco, mas vou torcer pra que ele precise!

quarta-feira, março 02, 2011

Vamos pra Turquia?



Tenho um colega da Turquia. Eu nunca me lembro o nome dele, apesar de conversar com ele todos os dias, no trem, quando volto pra casa. Logo vou me mudar e sinceramente vou sentir falta do bate papo com o colega turco. Gosto de ouvir sobre o país dele e de ver o quanto culturas podem ser diferentes e apesar disso, as pessoas ainda consigam interagir com respeito.

Adoro a indignação dele quando perguntamos por que eles gostam tanto de Kebab. E nós, os colegas de aula, no revezamos todo dia para garantir que alguém vai fazer de novo a mesma pergunta. “Kebab não é nada na Turquia cara, nada!” E ele ficou ainda mais pasmo quando contei que na Itália tem Kebab, assim como na França, na Espanha, na minha cidade e, acredito, em qualquer bairro do mundo se possa achar um Kebab. Não é culpa nossa achar que esta é a comida mais típica que eles têm. Os turcos é que saíram espelhando isso por ai.

Assim como não é culpa de ninguém achar que no Brasil só tem mulata, samba e futebol. Nós mesmos, brasileiros, tratamos de difundir essa idéia. Agora agüenta! Mas, voltando pra Turquia, “e nós não somos árabes”, gritaria o colega, eles não têm a religião muçulmana como obrigação, mas tem algumas regras para as mulheres. Elas, de forma alguma, podem ser tocadas por um homem antes do casamento. Nem na mão, no braço, ou em parte alguma. E o casamento é arranjado. Ele só precisa dizer aos pais que quer casar e eles fazem todo o trabalho. Tão fácil. Pula todo aquele sofrimento de conhecer alguém, ver se vai dar certo, adivinhar o que está pensando e por ai vai.

E quando perguntei se tinha emprego no restaurante onde ele trabalha (advinha de que? Kebab!) qual não foi o constrangimento do rapaz. Ele disse, educadamente, nós temos, mas não é para mulheres, é pesado, seria rude. Andando umas quadras mais adiante na volta pra casa ele me falou – “Na Turquia uma mulher até pode trabalhar e conseguir emprego, mas não é de bom tom que trabalhem”. Entendi. Apesar disso, ele me garantiu que o dia que casar vai ajudar a esposa dele nas tarefas domésticas. Mas, isso é porque ele é um rapaz viajado, que já abriu a cabeça para tantas outras idéias.


Olympic Park

Fui lá com os colegas de apartamento no último domingo. Tivemos que pegar dois trens e levamos mais de 30 minutos para chegar. É um pouco afastado do centro. O lugar é enorme, com bastante jardim, área de lazer, inúmeras paradas de ônibus, banheiros limpos, enfim uma estrutura bem legal.

Acontece que não sabíamos que naquele domingo estavam acontecendo dois eventos fechados no local. Isso foi chato, por tantos motivos que eu poderia fazer uma lista de 1 a 100, mas vou resumir, para não cansar ninguém. O motivo 1 foi que o estádio estava fechado para visitas. Todos os outros motivos giram em torno do tipo de evento que estava acontecendo. De um lado uma luta da UFC. Pra quem não sabe, como eu não sabia, é luta livre. Logo em frente a este ginásio, tinha um show de rock, daqueles que as pessoas se vestem de preto da cabeça aos pés: têm cabelos pretos, olhos e unhas pintados de preto. Eu estava usando cor de rosa – péssima escolha.

 O pior momento, no entanto, foi quando acabou a luta. Centenas, - ou seriam milhares? – de homens absurdamente grandes e fortes andando por todos os lados. Decidimos ir embora e vi pela primeira vez aqui em Sydney um trem lotado. Cheio de homens suados e gigantes. Foi bacana conhecer, mas porque não fui pra praia? Por quê?

sábado, fevereiro 26, 2011

Preguicinha

Só fotos hoje. Esta é a vista da sacada do apartamento aqui na Sussex Street. Ainda não descobri o porque, mas teve show de fogos de artifício aqui pertinho. Me falaram que todo sábado tem de novo. Prometo fotografar, filmar ou qualquer coisa no próximo sábado. Aguardem!




quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Será que todo mundo surfa?

Vista dos fundos da minha primeira parada em Sydney

Rua em frente ao apartamento da Carol em Narrabeen

Vista da sacada do apartamento da agência


Agora estou morando na City, um apartamento no 23º andar com uma vista incrível para muitos outros prédios, Tudo bem, muitos prédios não é exatamente meu conceito de vista incrível, mas, de verdade, é sim bonito.
            Aqui tenho outra visão da cidade já que cheguei em Sydney e fui direto para perto do mar, verde e tranqüilidade. O centro, claro, não representa um conceito de paz, tão pouco de natureza. A vantagem é a proximidade com os lugares que até o momento, preciso freqüentar. São 20 minutos de trem até a escola, ou 30 de ônibus para quem quiser gastar mais tempo e menos dinheiro.
            O que não vi aqui e pra ser sincera estou sentido falta, são as pranchas de surfe. Em Manly e Narrabeen fiquei com a sensação de que todos os moradores, exceto eu, sabem surfar. Era muito comum ver as pessoas andando em pleno horário comercial com pranchas no banco de trás do carro. Acho que a prancha deve ser a ocupante oficial daquele assento.
            Então eu acho que sim, todo mundo surfa. Deve ser algo parecido com a relação do brasileiro com o futebol. Lá, bastam alguns metros quadrados e uma bola – independente de do que ela seja feita – para se iniciar uma pelada. Acredito que os australianos só precisem de alguns minutos e, as vezes, nem prancha para surfar.
            Me faz sentir ainda mais vovozinha quando entro na água. Isso porque tenho aquela mania de entrar no mar até a altura dos joelhos e ficar jogando água para cima numa tentativa de refrescar o resto do corpo. Nem criancinhas têm o mesmo medo de mar que eu.


Cidade cosmopolita

            Um casal de amigos brasileiros me pediu ajuda para procurar apartamento em imobiliárias. Por entenderem muito pouco de inglês, não estavam conseguindo se comunicar com os atendentes. Me espantou a falta de paciência com que fomos tratados. E eles me disseram que quando foram sozinhos era ainda pior. Eles simplesmente ficam nervosos de dispensar mais atenção com alguém que não fala inglês direito e precisa de mais tempo formulando frases. Eles não querem entender e parecem não fazer questão de serem entendidos. Se pedir pra falar de vagar vai ganhar um olhar entediado, sugerindo um “ai meu Deus”.
            E é comum ouvir os mais diversos idiomas nas ruas, ônibus e trens. Tem pessoas de todo o mundo vivendo aqui. Me pergunto: Não era para estarem acostumados a lidar com pessoas que não dominam a língua?

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Dê passagem à direita


Ok, eu tentei mostrar a estação mas fiquei tímida pra uma foto mais elaborada. Posso ouvir meu professor de fotojornalismo dizendo que essas fotos não dizem nada. Prometo fazer melhor na próxima vez.


Aqui as estações de trem têm muitas plataformas. Não andei por todas ainda, mas vi que algumas chegam a ter seis. São vários níveis, cada um com pelo menos duas (às vezes três) linhas de trem. No início fica um pouco confuso, entre todas aquelas pessoas apressadas, parar para pensar pra que lado ir. Até porque, pra quem está perdido, placas cheias de nomes de estações ou com indicações do tipo: norte e sul, não ajudam muito. O legal é que sempre tem alguém disponível para dar informações. O difícil é lembrar no dia seguinte qual foi o lado que deu certo e qual foi o caminho pelo qual você se perdeu.

O trem também tem dois andares. Legal! Eu nunca tinha visto antes. As entradas dos trens funcionam mais com um hall. Não é pra ninguém ficar parado ali de bobeira atrapalhando tudo, a não ser que a pessoa esteja prestes a sair. Só senti falta de uma plaquinha indicando quais as próximas estações, apesar de que quando se chega numa estação, se pode ver nas paredes o nome delas escrito várias vezes. É preciso se esforçar pra descer no lugar errado. De verdade! Nem eu consegui!

Ficar parado? Só na esquerda!

O que aprendi após alguns “excuse me” é que não se fica parado do lado direito da escada rolante comendo mosca. Quem não está disposto a subir com as próprias pernas, por favor, mantenha-se à sua esquerda. Aqui é mão inglesa o que significa que todo mundo dirige do lado trocado no carro. E a regra vale para pedestres também.

Então o lado direito é para apressados passaram correndo, enquanto os preguiçosos (eu) aguardam calmamente que a escada rolante faça seu trabalho sozinha. Apesar de eu não ver sentido nessa pressa toda, tenho me concentrado em liberar a passagem. Algumas pessoas descem correndo as escadas para passar mais tempo sentadas esperando o trem. Esquisito porque não é preciso esperar na estação por mais de dez minutos e os trens nunca estão lotados.

Bondi Junction

Minha escola fica em Bondi Junction, um bairro bastante agitado, cheio de bares, lojas e brasileiros. Não que eu tenha criado alergia a brasileiros, mas não gostei muito dali. Muita correria, gente na rua, confusão. Sabe quando tem tanta gente andando que dá a impressão de que se pararmos pra espirrar alguém nos derruba? Tanto a City quanto Bondi Junction são assim. Ou você corre junto com todo mundo, ou a multidão te leva embora. Isso além de ser estressante, confunde mais ainda pessoas como eu, capazes de se perder mesmo na cidade onde nasceram e viveram.

Repito que gostei mais de Paddington, com aquele monte de casinha estreitinha que da vontade de botar umas plantas na porta e uma plaquinha de “lar doce lar”. Talvez Bondi Beach seja mais bacana, ainda não passei por lá. Me informaram que fica há uns 30 minutos da escola de inglês. Outro dia, com mais tempo eu passo por lá e quem sabe ando mais por Bondi Junction. Conhecendo melhor posso vir a gostar.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

City selva

Visitei rapidinho um museu. Era free e bem pequeno. Alguns fósseis, dinossauros, nada que eu tivesse entendido muito bem. 

Aqui é onde fica a estação principal e onde se pega o ferry até Manly. Ainda não tive vontade de passear no barco.


Aqui várias entradas de shoppings se ligam e ficam várias pessoas cantando. O povo larga moeda mesmo! Se eu soubesse cantar...



Me perdi muito na city. Chegar lá não é complicado, de onde estou posso pegar um ônibus que leva aproximadamente 45 minutos até o centro. È como se eu estivesse morando na zona sul de Porto Alegre. A diferença é que o ritmo lá é outro. Correria, pessoas ocupadas, vestindo preto, saias muito justas.

Esta parte das saias é outro ponto que quero pesquisar. Faz um tempinho que não pesquiso sobre moda, mas a última vez que dei uma olhada no assunto, mais de um ano atrás, a moda eram aquelas saias bem coladas no corpo, que ficam ótimas em magrinhas. Aqui todas ainda a usam, especialmente as asiáticas. Aliás, tem muito asiático aqui e como toda grande cidade, também existe um bairro chinês. Vou criar uma teoria a respeito, pode se intitular “os chineses vão dominar o mundo” – seria uma boa tese de dissertação, não?

A história é: eu estava procurando pela Three, uma operadora de telefonia, para comprar um celular. É bem barato aqui. Paguei 29 o aparelho e mais 29 em créditos que têm durado bastante. Demorei muito para achar e acabei descobrindo que essa empresa se uniu com a Vodafone, que a propósito, tem uma a cada esquina. Acabei entrando na Three após procurar por horas e sai com um número da Vodafone lá de dentro.

Pedi informação e me disseram pra ir até a Victoria gallery, haveria uma loja downstairs.  Ocorre que downstairs eram mais 3 andares de subsolo e de tanto descer pra um lado, subir pro outro e andar, andar e andar, entrei por um shopping e sai por outro. No fim não sabia como tinha ido parar lá e tive que voltar ao ponto de partida para tentar de novo. Isso levou horas.

Os shoppings e prédios têm entradas separadas, mas de alguma forma tudo se liga no subsolo. Loucura pra quem de subsolo só conhece estacionamentos.

Paddington

Este bairro fica perto de Bondi Junction, onde está a minha escola de inglês – Mercury Colleges. Inacreditável, mas este bairro é completamente diferente de tudo que eu tinha visto em Sydney até agora. E é lindo. É calmo, tem ares de subúrbio e é cheio de casinhas fofas coladas umas nas outras. Tem bastante flores nas casas e como tudo por aqui é limpo e organizado. Lá tem também alguns restaurantes mais chiques.

O lado direito da casa

Desde que cheguei eu sempre saio da casa da Carol e ando pro lado esquerdo. Pra lá tem cafés, supermecado e o mais importante a parada de ônibus. No domingo botei minha roupa de caminhada e sai pra andar por ai. Resolvi pegar o lado direito. Descobri que tem um café na próxima esquina, um estacionamento para quem vem a praia uma área enorme pra banho na lagoa, acampamento, outra praia logo adiante e sabe Deus o que mais posso encontrar se continuar indo pra direita. Descobri o acesso para o outro lado da lagoa (aquela que tem na frente do super mercado) e vi que a outra margem era bem maior.

Muitas descobertas. Outra hora tiro mais fotos. 

sábado, fevereiro 12, 2011

Eles não usam sapatos

A praia em Narrabeen. Está fresquinho aqui, estão até agora não teve banho de mar. 

O lago. Aqui já vi um senhor nadando até a outra margem. Estranhei quando vi ele pular na água.

O lago de novo.

Estou em Narrabeen no momento. Um bairro lindo, com clima de cidade pequena, mas com um toque de cidade praiana. O apartamento da minha amiga fica de frente pro mar, uma praia que me lembra um pouco as de Santa Catarina. Mas é bem tranqüila, se vê poucas pessoas pela areia.

Umas quatro quadras pra baixo do prédio, que fica na Ocean Street tem um lago enorme e muito bonito. Na beira lago, digamos assim, tem casas grandes e chiques. E aquele pedacinho ali me lembra serra gaúcha. Porque as casas são bonitas, de madeira ou tijolo a vista e tem bastante natureza.

Nessa rua que beira o lago, também está o centro de Narrabeen onde encontramos o super mercado, bancos, cafés, correio e tudo mais. É a rua onde se pega o bus até Sydney city e onde ficam os telefones públicos. Fui ao super mercado no segundo dia aqui, porque não queria ficar abusando da hospitalidade da Carol. Dormir de graça tudo bem, agora comer de graça é um pouco de abuso, penso eu.

Achei tudo bastante caro no supermercado o que confirma o que todos dizem. O custo de vida aqui é bem alto. Então me joguei na marca do super mercado que tem alguns produtos bons e outros ruins. A pizza do Woolworths, por exemplo, não agradou muito, mas pão, leite e geléia têm preços bem menores e são gostosos.

Manly

No segundo dia também fui a um bar em Manly com a Júlia, flatmate da Carol. Uma long neck da Heineken no bar custa 8 dólares em média. Cerveja são muito caras aqui, porque eles são contra o consumo de álcool. Em compensação são um pouco mais encorpadas, com teor alcoólico maior. Fazendo um parêntese, li uma matéria no jornal de Manly hoje, falando sobre álcool. A foto mostrava duas adolescentes de costas, com a frase destaque “quando você começa a beber não consegue mais parar, precisa continuar até ficar bêbado e cair”. A abordagem que eles fazem é quase tão impactante quanto a do Brasil em relação a drogas.

Manly me lembra Rio de Janeiro. As pessoas são mais despojadas, os super mercados ficam aberto até muito tarde e a noite tem muitas pessoas na rua. Comércio aberto, clima quente e tudo mais.

Sapatos

Pois é, eles têm algum problema em usar sapatos. A primeira vez que fui ao mercado vi muitas pessoas entrarem descalças. A noite em Manly vi mais um monte de gente passeando na rua descalça. Me disseram que mesmo na city, que é completamente cheia, como todo centro de uma grande cidade, as pessoas andam descalças, ou usam Havainas com roupa social, de escritório. E isso não quer dizer que as ruas são mais limpas, não. É hábito mesmo. Ainda descubro o porque.

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Primeiro dia na Austrália – 08/02/2011

Após 36 horas de viagem cheguei à Austrália muito cansada. Peguei vôos da Star Alliance, que achei bom, mas não sei se, de repente, indo pelo Chile eu não teria economizado um pouco de horas de vôo.

Fui pela TAM até São Paulo. De lá, aproximadamente nove horas de vôo pela South African Airways até Johannesburg. Lá esperei duas horas. O aeroporto de Johannesburg é enorme e super moderno. Entrei direto na sala de embarque e o tamanho dela é impressionante. É tão absurdamente grande e com tanta variedade de lojas que pensei estar no lugar errado. Esperava encontrar alguns free shops e nada mais.

De lá embarquei pela Quantas, que é uma ótima companhia. Na sala de embarque, com todos os passageiros reunidos na frente do portão formaram um fila onde revistaram todas as bagagens de mão dos passageiros para ver se estava tudo certo. Uma dica pra quem costuma viajar quieto como eu, sempre responda quando te perguntarem: “How are you?”. Eu estava tão sonolenta que nem me dei conta quando o agente do aeroporto me perguntou isso na revista. E ele insistiu na resposta pra se certificar de que sim, eu estava ok.

Janela

Pela Quantas foram mais 11 horas de vôo até Sidney. Dessa vez percebi que viajar na janela é bacana em vôos curtos, mas só. Gosto de janela para ter onde escorar a cabeça, mas dessa vez me dei mal em ambos os vôos. As pessoas que pegaram corredor até Johannesburg foram deitadas, pois estavam sozinhas numa fila de 4 (ou talvez 5) bancos. Fiquei me encolhendo para caber em dois.

No segundo vôo, o mais longo, fiquei na janela e ao meu lado estava um casal de australianos idosos. Foram muito simpáticos e solícitos comigo o tempo todo, mas quase não consegui tomar o café de tanta vontade de ir ao banheiro e fiquei com pena de acordar a senhora do meu lado, que dormiu muito. Além disso, me senti espremida no cantinho e como havia dormido muito no vôo anterior, fiquei acordada praticamente todas as 11 desconfortáveis horas.

Imigração

Antes de embarcar minha agência alertou para que eu não tivesse na mala nada que contradissesse o tempo de visto. Ou seja, não posso num visto de 6 meses ter remédios para 12. Ou com um visto de 3, quando se pega apenas verão, levar roupas de inverno. Nada que demonstre a intenção de ficar mais tempo do que o visto apresenta. Também nos alertaram sobre revista em malas e documentos. Fiquei apreensiva por estar trazendo meu diploma e certificados. Minha amiga falou que era bom eu ter minhas qualificações para traduzir aqui.

Coloquei num bolso quase imperceptível de uma mala que despachei e rezei. Ao final, não me foi perguntado nada e não passei por revista nenhuma. Um senhor muito simpático colocou minhas malas na esteira, perguntou se como jornalista pretendia fazer belas reportagens sobre a Austrália e me deu boas vindas.

Táxi

Táxi aqui é muito caro, mas..... Eu tinha muita bagagem. Faltando 30 minutos para o avião aterrissar ouvi um brasileiro no banco da frente dizendo ao comissário que iria pra Manly. Levantei rapidinho e perguntei como ele faria. Ele me disse que viajava com outro amigo e que gostariam de dividir um táxi. Para mim foi perfeito. Paguei 40 dólares até Narrabeen, que está a 30 minutos depois de Manly. Eles pagaram 30 cada um. Então pra percorrer uma hora e meia de táxi, achei um preço justo.

Até aqui, sem fotos.